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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Livro infanto-juvenil também é presente

Especialista fala sobre como os pais podem ajudar e incentivar filhos a se tornarem leitores


Muito se fala da importância da leitura desde muito cedo. Entretanto, na prática, sabemos que nem toda criança ou adolescente tem familiaridade com os livros. Mas, será que cabe a leitura num mundo que vai ficando cada vez mais atraído à dependência de objetos eletrônicos? E cada vez mais cedo? A professora Doutora da UFRN, Tâmara Abreu, especialista em Literatura Infanto-juvenil dá um exemplo de como, nem sempre se dá o devido valor à aquisição de livros: "Numa festinha de aniversário, é muito raro as crianças receberem livros de presente. Geralmente, ou é brinquedo ou roupa. Mas o livro deve sim ser encarado como um presente", sugere ela.

Na próxima semana, a Cooperativa Cultural Universitária, dentro das comemorações do mês da criança, promoverá uma contação de histórias para crianças especialmente para uma creche de Mirassol, em parceria com o NAC, contando com a presença da professora Adeilza Gomes da Silva, que vai ler trechos de Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. O evento não é aberto ao público, mas durante todo esse mês a livraria está dando 20% de desconto nos títulos infantis e juvenis.

Para Tâmara, o primeiro passo é ser modelo. Crianças e adolescentes que veem os pais lendo, terão naturalmente, o hábito de ler também. Mas, e quando os pais não conseguem ser leitores assíduos, sob a justificativa de não terem tempo? O segundo passo, é ler junto com os pequeninos; e o terceiro é levar as crianças para livrarias e bibliotecas. "É necessário que os pais encarem o livro como acesso ao saber. Não só aqueles que estão na moda, ou aqueles de apelo comercial. Existe excelente literatura infanto-juvenil. Aqui em Natal, a única livraria que eu encontro autores como Roger Melo - considerado um dos melhores no mundo - é na Cooperativa Cultural Universitária", elogiou ela.

Segundo a especialista, que trabalha no campo da Pesquisa e Extensão na formação de professores em Literatura Infanto-juvenil, é inegável que o livro tem perdido espaço para os objetos eletrônicos, que acabam tomando muito tempo das crianças e adolescentes. "Não se trata de trocar o objeto eletrônico, como joguinhos ou celulares, porque eles já estão na vida das crianças e faz parte da sua relação com o mundo. Proibir não funciona. Mas se trata de oferecer outras alternativas. O livro trabalha, no ponto de vista de certas alterações cognitivas, que o objeto eletrônico não trabalha, e até atrapalha. Quando a criança lê, ela imagina as cenas, traça relações entre o que lê e as suas experiências, elabora hipóteses e inferências que são extremamente bem-vindas à inteligência. Os jogos mexem com outras alterações cognitivas, mas menos enriquecedoras do ponto de vista emocional".

Para os pais interessados em que seus filhos, crianças ou adolescentes, tenham e mantenham o hábito de ler, Tâmara dá outra sugestão: deixar os livros sempre à disposição. Não adianta só colocar nas prateleiras. "Eles devem estar num espaço de destaque dentro da casa". Para quem quiser saber de indicações de livros, o site da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil http://www.fnlij.org.br/ oferece listas dos melhores autores para esse público específico.

Sheyla de Azevedo Andrade 
Jornalista e Escritora. Assessora de Comunicação e Imprensa da Cooperativa Cultural

84 9610 7909 / 84 8744 0041

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